MIEXPLICADRA. MILENE ÁVILASite principal

DIRETRIZ SBD · EDIÇÃO 2026

Diabetes 2026:
o tratamento mudou de eixo.

A glicose continua essencial. Mas a melhor conduta agora começa por uma leitura integrada de risco cardiorrenal, adiposidade, função renal e sintomas de insulinopenia.

Aquarela da Dra. Milene Ávila usando sensor de monitorização contínua da glicose no braço
GlicemiaCoração + rimAdiposidade
Medicina e experiência vividaDra. Milene ÁvilaCardiologista · Médica do Estilo de Vida · Pessoa com DM1

Não é “o fim da metformina”.
É o fim da prescrição guiada só pela glicose.

A diretriz organiza a decisão em camadas. HbA1c, peso, coração e rins não competem entre si: eles definem objetivos paralelos e, muitas vezes, combinações precoces.

LEITURA CRÍTICAA mudança de paradigma é real, mas não nasceu em 2026. A edição atual consolida e torna mais explícita uma evolução que já vinha acontecendo.

Antes de escolher o remédio,
responda quatro perguntas.

Essa é a tradução prática da recomendação inicial da SBD para todo adulto com DM2 recém-diagnosticado.

01

SEGURANÇA PRIMEIRO

Há sinais de insulinopenia?

Poliúria, polidipsia e perda de peso mudam a prioridade: estabilizar o quadro pode exigir terapia baseada em insulina.

02

PROTEÇÃO DE ÓRGÃOS

O risco cardiorrenal está aumentado?

Doença cardiovascular, insuficiência cardíaca, doença renal e marcadores de alto risco podem indicar proteção além da HbA1c.

03

ADIPOSIDADE COMO ALVO

Há sobrepeso ou obesidade?

Peso e adiposidade deixam de ser efeito colateral da escolha: passam a orientar uma parte central da estratégia.

04

O RIM DEFINE CAMINHOS

Como estão TFGe e RAC?

Filtração glomerular e albuminúria ajudam a escolher, ajustar, combinar ou contraindicar medicamentos.

RCR = risco cardiorrenal · TFGe = taxa de filtração glomerular estimada · RAC = razão albumina/creatinina urinária

Quatro decisões que ganham força.

RCR aumentado

iSGLT2

A diretriz recomenda iniciar para reduzir eventos cardiovasculares e renais, independentemente da HbA1c.

Classe I · Nível A

IMC ≥ 30 kg/m²

AR GLP-1 ou GLP-1/GIP

A redução de peso vira objetivo primário do tratamento, independentemente do risco cardiorrenal e da HbA1c.

Classe I · Nível A

IMC 27 a < 30 kg/m²

Considerar terapia pró-peso

A mesma estratégia deve ser considerada, respeitando perfil clínico, tolerabilidade, acesso e decisão compartilhada.

Classe IIa · Nível A

HbA1c ≥ 7,5% no diagnóstico

Terapia dupla inicial

A recomendação é não esperar a falha sequencial quando já existe distância relevante da meta glicêmica.

Classe I · Nível A

O novo eixo não apaga o básico bem feito.

01

HbA1c continua importando

Meta geral abaixo de 7% para a maioria dos adultos, desde que sem hipoglicemias graves ou frequentes — sempre individualizada.

02

Metformina continua

Segue recomendada desde o início no DM2 assintomático, junto ao estilo de vida, quando tolerada e com função renal compatível.

03

Estilo de vida atravessa tudo

Nutrição, atividade física, menos tempo sentado, sono, cessação do tabagismo e manejo do estresse permanecem em todas as fases.

Quatro frases que precisam de calibragem.

Uma boa comunicação médica preserva a ideia forte sem transformar recomendação clínica em slogan absoluto.

01

“Agora não importa mais a glicose.”

Não. A HbA1c continua central para prevenir complicações, sobretudo microvasculares.

02

“A metformina perdeu o lugar.”

Não. Ela segue recomendada desde o início no DM2 assintomático, se tolerada e com TFGe ≥ 30.

03

“Todo paciente deve usar sensor.”

Não. A CGM deve ser considerada; utilidade, acesso e capacidade de interpretar os dados importam.

04

“GLP-1 ou tirzepatida para qualquer pessoa com DM2.”

Não. A indicação depende do fenótipo, objetivos, contraindicações, efeitos adversos, acesso e preferências.

Tratar o diabetes é gerenciar uma trajetória — não perseguir um número isolado.

O tratamento contemporâneo busca reduzir hiperglicemia, proteger coração e rins, controlar adiposidade e agir cedo o suficiente para evitar inércia terapêutica.

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Capa Diabetes 2026 — o tratamento mudou de eixo

Diretriz não é prescrição automática.

Função renal: não existe um único corte para todos os iSGLT2

A indicação depende do fármaco e do contexto. No capítulo renal, a SBD recomenda iSGLT2 na doença renal do diabetes com TFGe ≥ 20, mas registra limites de início distintos: empagliflozina 20, dapagliflozina 25 e canagliflozina 45 mL/min/1,73 m².

Finerenona exige albuminúria, bloqueio do SRAA e monitorização

Não é simplesmente “usar se houver DRC”. A recomendação envolve TFGe ≥ 25, albuminúria, potássio adequado e tratamento de base com IECA ou BRA, com vigilância de hipercalemia.

CGM ganha espaço, mas não vira obrigação universal

A monitorização contínua deve ser considerada no DM2. O benefício depende da pergunta clínica, do regime terapêutico, do acesso e da capacidade de transformar dados em decisões — não apenas de gerar mais números.

Medicamentos modernos também têm riscos e limites

iSGLT2 exigem atenção a infecções genitais, hipovolemia e cetoacidose euglicêmica; terapias incretínicas exigem titulação, avaliação de tolerabilidade gastrointestinal, contraindicações e contexto clínico.

Para aprofundar sem ruído.

Conteúdo educacional baseado na edição 2026 da Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes e no protocolo oficial do SUS.